Máquinas vs Pesos Livres

A questão da escolha entre o trabalho com peso livre ou máquinas, tornou-se um tema bastante quente no mundo atual do fitness.

Será que barras e halteres fazem parte do passado e o futuro passa pelas cada vez mais sofisticadas máquinas? Ou ambos continuarão a desempenhar o seu papel nos ginásios no que toca ao trabalho de força e hipertrofia muscular?

Tal como eu no passado, os mais resistentes continuarão a afirmar que os pesos livres são insubstituíveis, mas talvez essa não seja uma verdade absoluta como abaixo vou tentar demonstrar.

Quando falamos em pesos livres estamos, acima de tudo, a valorizar a liberdade de movimento e a instabilidade, que consequentemente levam a um maior número de músculos recrutados num só exercício (training economy). Por sua vez no trabalho com máquinas valorizamos exatamente o oposto, a falta de liberdade, a maior estabilidade e por sua vez a capacidade de isolar um músculo, “desligando” outros.

Tudo isto parece um enorme contra-senso quando temos duas realidades tão distintas para um só objetivo.

Curiosamente, se sugeríssemos a um velho defensor do trabalho com pesos livres para realizar os seus agachamentos em cima de um Bosu ou uma outra qualquer plataforma instável, como um método válido para continuar os seus ganhos força e massa muscular, prontamente ouviríamos um redondo não, possivelmente  argumentando que mal conseguiria ali ficar estático, quanto mais realizar um agachamento.

Por outro lado se lhe sugeríssemos deixar o tradicional agachamento livre por uma qualquer máquina que replique o movimento, olharia para nós com desconfiança e recusar-se-ia na mesma, argumentando que era demasiado estável.

Se por um lado recusa a instabilidade do Bosu, também se recusa a aceitar a estabilidade da máquina como ponto positivo, e é sobre isto mesmo que me quero debruçar.

Na execução de um exercício quanto maior for a instabilidade, maior vai ser o desafio postural do atleta e consequentemente menor vai ser a sua capacidade de produção de força pois o corpo vai sempre priorizar a manutenção da sua estabilidade.

Se pegarmos no exemplo acima do Bosu verificamos que agachar apenas com o peso do nosso corpo já irá ser um desafio suficientemente grande, perdendo dessa forma o principio da sobrecarga, tão importante no que toca a hipertrofia muscular.

A esta altura do meu raciocínio, uma situação intermédia como o agachamento livre com barra numa plataforma estável (chão) irá fornecer-nos os dois mundos, remetendo-nos para a conclusão de que os pesos livres serão sempre a melhor opção, no entanto existe algo mais a ser explorado.

Existem autores que defendem que o trabalho com pesos livres e a consequente maior complexidade de execução e dos exercícios, como levantamento terra, agachamento entre outros, levam a um maior desgaste do Sistema Nervoso Central e que as máquinas por serem exatamente o oposto não o provocam tanto.

Sabendo que o desgaste do Sistema Nervoso Central está ligado a uma menor produção de força, não será boa ideia quando já estamos algo fatigados fazer transições para máquinas e continuar dessa forma a executar um bom trabalho?

Por outro lado a capacidade de isolamento do trabalho muscular nas máquinas não será uma vantagem quando o objetivo é hipertrofia, conseguindo tirar de jogo alguns músculos e trabalhar apenas o desejado?

A título de novo exemplo, quando um atleta depois de executar alguns movimentos livres para peitoral tiver músculos estabilizadores como os ombros esgotados, não será boa ideia efetuar algum trabalho nas máquinas e conseguir prolongar o estimulo?

Ainda no trabalho de peito e com mais um exemplo: se o atleta dispuser de ombros e triceps fortes e por consequência um peitoral fraco ou não proporcional, procurar “roubar trabalho aos triceps e ombro, isolando melhor o peito poderá ser inteligente.

Outra enorme vantagem das máquinas é conseguirem colocar resistência numa amplitude de movimento maior, pois ao contrário dos pesos livres não são tão afetadas pela lei da gravidade e podem mesmo, através de roldanas excêntricas, contrariar de certa forma a lei da gravidade.

Não pretendo de todo colocar de parte o trabalho com pesos livres, eles continuam a ter a sua importância no trabalho de força e de hipertrofia muscular e inúmeras vantagens como acima referi.

Abordo apenas, de forma mais especifica, a questão das máquinas pois são muitas vezes consideradas as más da fita e eu gosto de apresentar-vos perspetivas diferentes.

 

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