Cardio em jejum

Efetuar atividade cardiovascular em jejum, como estratégia de perda de massa gorda é algo bastante comum. Defendida por uns, contrariada por outros, este 50/50 continua a gerar bastante discussão.

O que abaixo escrevo é apenas a MINHA visão sobre a adoção desta estratégia. Poderia enumerar diversos estudos a favor e outros contra, mas penso sinceramente que essa informação não teria qualquer relevância para quem me segue. Para isso existem ferramentas como o Google. A mais-valia que trago até vós é a minha experiência pessoal, de quem já a adotou e prescreveu, tudo o que aprendi e concluí, algo bastante simples, de fácil compreensão e carácter bastante prático.

Se olharmos a realidade nacional, a maioria dos atletas das diversas modalidades, são amadores e compatibilizam a sua atividade desportiva com a atividade laboral, vida familiar, entre outras responsabilidades e afazeres. Significando portanto que quer estejamos perante um atleta de competição ou não, existe sempre sacrifício pessoal a fim de conseguir lidar com sucesso com as diversas dimensões da sua vida.

Num cenário otimista podemos imaginar alguém que trabalha os tradicionais cinco dias por semana,  descansa ao Sábado e Domingo, tem um horário de trabalho fixo, entra manhã e sai ao final da tarde, não tem um grande desgaste físico e mental, vive relativamente próximo do trabalho e numa localidade sem trânsito, não constituiu ainda família e no fundo vive apenas para si mesmo.

Mesmo neste cenário bastante favorável existe sempre um horário de trabalho a cumprir, uma dieta a seguir, um padrão de descanso e uma rotina de treino, entre outros afazeres básicos que todos poderão compreender.

Conclusão? Algo vai ser sempre sacrificado e no caso de seguirmos a estratégia de efetuar cardio em jejum é o descanso!

Porquê? Se tivermos em conta o cenário acima exposto e um inicio de trabalho às 09H00 da manhã,  tipicamente a pessoa teria de se levantar cerca das 08H00 para estar no local de trabalho.

No cardio em jejum, talvez tenha que se levantar às 06H45, para às 07H00 estar na rua ou numa passadeira ou similar a treinar, efetuar o treino cerca de 1H, visto o trabalho em jejum ser de longa duração e baixa intensidade e às 08H00 então poder retomar a sua rotina normal.

Como podem verificar mesmo no melhor dos cenários o padrão de descanso é prejudicado em cerca de 1H15min, que pode ou não ser penalizante dependendo da hora a que se deitou para dormir, mas como acima referi, compatibilizar trabalho, treino, dieta, etc será que sobra assim tanto tempo?

Outra questão relevante que posso levantar é a de quantas pessoas têm o estilo de vida do exemplo acima?

Numa realidade de cada vez mais exigência profissional, horas extras, folgas diminutas, horários rotativos, desgaste físico e mental, vida familiar exigente, tarefas domésticas, distâncias até ao local de trabalho elevadas, trânsito, etc etc facilmente podemos perceber que roubar 1H15min a muitas vezes um já curto período de descanso pode ser bastante desgastante e prejudicial na saúde e resultados de um atleta.

Se aos factores acima expostos ainda somarmos o desgaste físico e mental de uma dieta hipocalórica, obrigatoriamente presente num processo em redução de massa gorda, então começamos facilmente a perceber que tudo junto pode ser demais para uma só pessoa. Que mesmo que o programa tenha sido  seguido com sucesso, será que foi a melhor estratégia? A que custos?

A perda de massa gorda deve-se acima de tudo ao balanço energético diário e não a uma estratégia especifica de apenas 1h diária, quando ainda nos restam outras 23h.

Podemos ainda, abordar a questão do sacrifício a longo prazo de massa magra num atleta fragilizado por uma dieta hipocalórica, exposto por vezes a níveis altos de stress, cortisol elevado pela manhã, exercício físico constante e necessidade de recuperar.

Muito mais poderia referir e adiantar, mas tornar-me-ia bastante longo nesta minha abordagem mais de cariz prático.

Na minha experiência pessoal, cardio em jejum sempre foi prejudicial para atingir a minha melhor condição e demasiado sacrificaste para alguns atletas que acompanhei.

Se existem casos de sucesso com esta abordagem? Existem mas esta é a minha visão.

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